Capoeira Angola e Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros.

O objetivo do evento foi reunir mestres e mestras para um diálogo sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros dentro da capoeira angola. A partir de cada um desses valores civilizatórios definidos por Azoilda Loretto da Trindade, ativista da luta contra o racismo e com atuação voltada à educação das relações raciais, refletimos sobre as nossas práticas e teorias, contando ainda com a interação do público. Este evento foi realizado em prol da campanha CAPOEIRA CONTRA A FOME NO BRASIL através de doações, rifas e leilões.

INTRODUCTION 
O objetivo do evento foi reunir mestres e mestras para um diálogo sobre os valores civilizatórios afro-brasileiros dentro da capoeira angola. A partir de cada um desses valores civilizatórios, refletiremos sobre as nossas práticas e teorias, contando ainda com a interação do público.

CIRCULARIDADE
A roda tem um significado muito grande, é um valor civilizatório afrobrasileiro, pois aponta para o movimento, a circularidade, a renovação, o processo, a coletividade: roda de samba, de capoeira, as histórias ao redor da fogueira…

MUSICALIDADE
A música é um dos aspectos afro-brasileiros mais emblemáticos. Um povo que não vive sem dançar, sem cantar, sem sorrir e que constitui a brasilidade com a marca do gosto pelo som, pelo batuque, pela música, pela dança.

COOPERATIVISMO / COMUNITARISMO
A cultura negra, a cultura afro-brasileira, é cultura do plural, do coletivo, da cooperação. Não sobreviveríamos se não tivéssemos a capacidade da cooperação, do compartilhar, de se ocupar com o outro.

ENERGIA VITAL – AXÉ
Tudo que é vivo e que existe, tem axé, tem energia vital: Planta, água, pedra, gente, bicho, ar, tempo, tudo é sagrado e está em interação. Imaginem se nosso olhar sobre nossas crianças de Educação Infantil forem carregados da certeza de que elas são sagradas, divinas, cheias de vida. Podemos trabalhar a potencialização deste princípio nas nossas crianças, se nosso olhar, nosso coração, nosso corpo senti-las verdadeiramente assim. Elogios, um afago, brincadeiras de faz-de-conta, nas quais elas se sintam a mais bela estrela do mundo, a mais bela flor, alguém que cuida, alguém que é cuidado. Um espelho para que elas se admirem, para que brinquem com o espelho, e se habituem a se olhar e a serem olhadas com carinho e respeito.

CORPOREIDADE
O corpo é muito importante, na medida em que com ele vivemos, existimos, somos no mundo. Um povo que foi arrancado da África e trazido para o Brasil só com seu corpo, aprendeu a valorizá-lo como um patrimônio muito importante. Neste sentido, como educadores e educadoras de Educação Infantil, precisamos valorizar nossos corpos e os corpos dos nossos alunas, não como algo narcísico, mas como possibilidade de trocas, encontros. Valorizar os nossos corpos e os de nossas crianças como possibilidades de construções, produções de saberes e conhecimentos coletivizados, compartilhados.

ORALIDADE
Muitas vezes preferimos ouvir uma história que lê-la, preferimos falar que escrever… Nossa expressão oral, nossa fala é carregada de sentido, de marcas de nossa existência. Faça de cada um dos seus alunos e alunas contadores de histórias, compartilhadores de saberes, memórias, desejos, fazeres pela fala. Falar e ouvir podem ser libertadores. Promova momentos em que a história, a música, a lenda, as parlendas, o conto, os fatos do cotidiano possam ser ditos e reditos. Potencialize a expressão “fale menino, fale menina”.

LUDICIDADE
A ludicidade, a alegria, o gosto pelo riso pela diversão, a celebração da vida. Se não fôssemos um povo que afirma cotidianamente a vida, um povo que quer e deseja viver, estaríamos mortos, mortos em vida, sem cultura, sem manifestações culturais genuínas, sem axé.

MEMÓRIA
Se estamos em constante devir, vir a ser, é fundamental a preservação da memória e o respeito a quem veio antes, a quem sobreviveu.